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Documentário resgata marcas da ditadura e memória de Odijas Carvalho de Souza

segunda-feira, 11 Setembro 2017 - 14h25

Aurora 1964 tem pré-estreia nesta segunda-feira (11/09), às 19h, no Cinema São Luiz, com entrada gratuita. A produção é escrita e dirigida pelo fotografo italiano Diego Di Niglio e é resultado de 4 anos de pesquisa nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social de Pernambuco (DOPS-PE), acompanhamento das investigações da Comissão de Memória e Verdade de Pernambuco, bem como das memórias orais e dos acervos particulares de pessoas que vivenciaram a época e que protagonizam o filme.

Para a comunidade acadêmica da UFRPE, o documentário é ainda mais especial, com acesso também às gravações da Comissão de Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, Diego reconstitui a perseguição e torturas sofrida por Odijas Carvalho de Souza, na época estudante de Agronomia da UFRPE, líder do movimento estudantil e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Odijas sofreu mais de 300 agressões no DOPS–PE e morreu no Hospital da Polícia Militar de Pernambuco, em 1971.

Apenas em 2013 seu atestado de óbito foi retificado para conter as reais causas de sua morte, de “embolia pulmonar” (ou seja, morte por causa natural assinada pelo médico Ednaldo Paes Vasconcelos) para “homicídio por lesões corporais múltiplas decorrentes de atos de tortura”.

 Em 2012, a UFRPE, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes, realizou a cerimônia de rematrícula de Odijas, durante as comemorações do centenário dos primeiros cursos da Universidade. O ato de homenagem foi símbolo do reconhecimento da Instituição, do Estado e toda a sociedade ao erro irreparável, aos crimes imprescritíveis e à violação dos direitos humanos contra Odijas e contra todos os que foram assassinados naquele período sob as mesmas condições e que lutavam pela democracia.

 Aurora é o primeiro artefato audiovisual a se beneficiar extensivamente dos documentos liberados do extinto Departamento de Ordem e Polícia Social - Dops.

Sinopse - Recife, Brasil, 2016. Dona Lourdes vai ser avó outra vez. Seu Jarbas coloca para tocar um velho Lp de Ave Sangria. Anacleto Julião assiste as imagens em super8 de seu pai exiliado no México. Seu Cícero revisita fotos antigas num melancólico fim de tarde no Engenho Galileia. Jacira relembra a tortura pública de seu tio, Gregório Bezerra.

Um país em plena crise de sua democracia, marcado por conflitos políticos e sociais, é o pano de fundo das narrativas do cotidiano desses e de outros personagens que tiveram a vida atingida pelo regime militar instalado com o golpe de 1964.

Aurora 1964 é um exercício de memória, que constrói pontes entre épocas da história brasileira dos séculos XX e XXI. E´ um registro sobre vidas recompostas, constituídas por desvios e atravessadas pela imprevisibilidade das dinâmicas políticas do presente e do passado.

O longa foi rodado entre abril de 2015 e dezembro de 2016, em Pernambuco, entre Recife, Olinda e o antigo Engenho Galileia (Vitoria de Santo Antão) sede da primeira Liga Camponesa do Nordeste e onde foi gravado o celebre documentário “Cabra marcado para morrer” de E. Coutinho. 

Foi realizado com incentivo do FUNCULTURA e do Fundo Setorial para Audiovisual da ANCINE, e com apoio da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC), Universidade Federal de Pernambuco – Departamento de História e Programa de Pós-graduação em História, Fundação Joaquim Nabuco - Coordenação Geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra), Instituto Miguel Arraes, Comitê de Memoria Verdade e Justiça de Pernambuco (CMVJ-PE), Associação Pernambucana dos Anistiados Políticos (APAP), Phono Produções, Estúdios Fabrica e DUB Color.

Produzido pela VIU CINE Comunicação, conta com a participação de Mateus Sá (direção de fotografia); Felipe Peres Calheiros (roteiro); Rapha Spencer (montagem); Marcelo dos Santos (som direto); Justino Passos (desenho de som); Kelly Lima (direção de arte); Lía Miceli López Lecube e Ulisses Brandão (produção executiva).